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Lorena Verli

Quem sou eu? Uma metamorfose constante, que nunca se cansa de buscar novos caminhos para tentar viver completamente e intensamente esse pequeno intervalo de tempo entre o nascer e o morrer. Algumas vezes decepcionada, outras somente magoada. Sempre deslumbrada com a vastidão do mundo e do universo interno de cada um. Amiga, sempre que me permitem. Inimiga, sempre que instigam meu lado negro. Mas nunca injusta. Pelo menos tento não ser. Também me engano com as escolhas que faço, mas nunca me arrependo delas “Melhor viver a se esconder”. E olha que já foram muitas besteiras! Filha independente, que evita ao máximo se apegar ao ambiente familiar. Tomo conta da minha própria vida e prefiro que ninguém se meta nisso. Reservada, só com quem precisa... nos momentos de tensão ou raiva, quase sempre falo demais. Não gosto de brigar, mas adoro travar embates. Nada melhor que exercitar sua mente com pessoas inteligentes. Demorei para fazer amigos e, quando consegui, tornaram-se meus irmãos. São presenças constantes, mesmo distantes, que não dispenso nunca. Confio em poucas pessoas como em mim mesma e elas nunca falharam quando precisei dos seus conselhos. Perdida dentro de mim, muitas vezes não sei que rumo seguir... aí, não sigo rumo nenhum. Revoltada com a imprevisibilidade da vida, que teima em querer me levar por caminhos estranhos. Mas, sempre pronta para o que der e vier. Quem sabe dos meus caminhos sou eu mesma. Irritada com as pedras que estão no meu caminho, mas ainda assim sigo a estrada. Uma hora tem que dar certo. Como boa canceriana, não consigo evitar as saudades da minha concha. Sempre que posso retorno para a minha cama e meu travesseiro, de preferência, com minha mãe por perto. Adoro rompantes sentimentais porque eles me mostram que eu não possuo controle nenhum sobre mim mesma. Loucura? Só a mais normal de todas. Ainda assim, adoro viver alucinadamente os momentos que considero importantes. Sou criança que se recusa a crescer. Adolescente que busca a vida adulta. Mulher preparada para enfrentar grandes desafios. Mas, no fundo, só eu mesma. Ainda não encontrei o amor, mas acho que ele está por aí. Uma hora, quem sabe, a gente se esbarra. Extremamente competitiva, especialmente comigo mesma. Adepta de grandes separações até descobrir que a dor sentimental pode se tornar física quando menos se espera. Agora, só acredito em reencontros. Sem medo da morte, porque ela é somente uma conseqüência da vida e sempre chega! Cansada de sonhos, mas nunca sujeita a parar de tê-los. Ainda indefinida. Talvez somente perdida. Mera espectadora do espetáculo da vida que sobe no palco e se recusa a descer. Enquanto espero pela salva de palmas da minha platéia, continuo a viver!

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Quinta-feira, Novembro 20, 2008

assas


postado por Lorena Verli às 11:43 PM
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Quinta-feira, Abril 03, 2008

QUANTOS HOMENS UMA MULHER PODE TER NA VIDA?

10? 20? Ou seria 30? Tá, levando em consideração que realmente exista esse número, qual seria ele? Particularmente eu não acredito que uma mulher deva fazer um caderninho sobre os caras com os quais ela foi para a cama. Bem ou mal, todas nós nos lembramos das transas que já tivemos. E meu chefe insiste em perguntar quantos homens teríamos ao longo de uma vida... sem contar repetições.
Ok, ok. Vamos lá! Isso realmente importa? Eu não diria que temos dez, porque acho que o número é pouco. Mas conheço mulheres que, até hoje, só tiveram um homem. Cada cabeça é uma cabeça e pensa de uma maneira diferente. Do mesmo jeito, tenho amigas que vão para a cama com um cara diferente a cada semana e se sentem bem com isso.
Mas é preciso cuidado na hora de revelar esses dados por aí. A diferença entre 20 e 21 homens pode fazer a mulher sair da pasta de “possível esposa” e ir para a de “sexo casual” de uma hora para outra. É, os homens são assim, mesmo que não queiram admitir.
Então, quantos homens ter na vida? Quantos você quiser, é a melhor resposta que eu posso dar. Ter apenas um porque a sociedade impõe isso a você é idiotice. Tem 50 porque acha que “quanto mais melhor” é idiotice também. Além do mais, de nada importa o número de homens que você teve na vida. O que importa é o que você aprendeu com cada um deles, certo? Pense nisso, porque da próxima vez que meu chefe me perguntar quantos homens uma mulher pode ter na vida ele pode ter uma surpresa com a resposta.

Bjos e até a próxima!


postado por Lorena Verli às 12:10 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008

NOVO ESPAÇO PARA ESCREVER

Ok, pessoal... não que eu tenha me cansado desse blog, mas o Blogger não oferece muitas ferramentas para eu trabalhar meus novos dotos "viajantes". Por isso, mudei para o Blogspot. O endereço é muiiiiiiiiito fácil: www.lorenaverli.blogspot.com. Nem mudou muito, né?! Então passem por lá e deixem seus recados... Bjinhos


postado por Lorena Verli às 1:58 PM
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Terça-feira, Janeiro 29, 2008


postado por Lorena Verli às 4:47 PM
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OLHA O CARNAVAL AÍ GENTE!
Planos e perspectivas de um feriado prolongado

O carnaval está batendo à porta e, como promessa é dívida, pé na estrada... Vou para Analândia, no interior de São Paulo, com os meninos. As promessas??? Bom, eles estão loucos para beber todas e cair até o feriado passar. Mas, sinceramente, eu estou mais disposta a aproveitar o turismo de aventura que a cidade oferece. Treeking, escalada e as cachoeiras... Talvez eu até consiga arrastar eles comigo para alguns passeios, mas acho que, na maior parte do tempo seremos apenas Fabíola e eu. Nada de mais... estou mesmo precisando de um tempo solitário. Mas só um tempinho, porque o mundo gira, a fila anda e as coisas sempre voltam a ser o que eram antes. Mais para frente, posto as fotos da última viagem que fim... Como esse ano começou na estrada, que venha a estrada então.


postado por Lorena Verli às 12:53 PM
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Sexta-feira, Janeiro 18, 2008

AMO MUITO TUDO ISSO!
Uma viagem de fim de ano em família!


Pensamentos positivos teriam evitado isso... O pneu furou a 5km do final da estrada ruim


A primeira casa de Jorge Amado, onde ele escreveu seu primeiro romance.


Bar Vesúvio, em Ilhéus, batendo um papo com Jorge Amado. Interessante!


Comecinho de Itacaré.... Cada praia!!!!!!! Merece retorno!


postado por Lorena Verli às 1:04 PM
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Sexta-feira, Janeiro 11, 2008

UM PAÍS QUE NÃO TEM PREÇO
Viajar é como libertar a alma de si mesma

Comecei 2008 com o pé na estrada. Por isso não tive tempo de passar por aqui e fazer os piores e melhores de 2007. Não ia fazer muita diferença, já que não tenho motivo algum para reclamar do ano que passou. Ele foi tão bom quanto poderia ter sido. Se duvidar, foi até melhor. Fui para a Bahia e, finalmente, pousei outros olhos sobre aquele Estado. Foi até reconfortante, depois de uma primeira visita desastrosa. E, o melhor de tudo, reascendeu aquele espírito viajante que tem aqui dentro. Quando fui para o Peru estava em busca de uma coisa que não conseguia encontrar por aqui. Agora, eu quero ir mais longe... os planos vão para o além-mar, para a África, mas ainda não sei se os ventos vão me levar pra lá. Mas também quero aproveitar para colocar o Brasil na palma da minha mão. Afinal, sou brasileira e tenho todo um tesouro a ser descoberto ao alcance dos meus pés. Seja sozinha ou acompanhada - isso não me importa nenhum pouco.

Que venha 2008, com mil e uma promessas. E repleto de estradas, porque eu sou apaixonada por elas!


Itacaré - uma das praias mais lindas que já vi na vida!


postado por Lorena Verli às 6:30 PM
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Sexta-feira, Novembro 09, 2007

O derradeiro passe de mágica
Harry Potter chega ao fim com um gostinho de quero mais que só os grandes personagens da literatura são capazes de deixar

Lorena Verli

Conheço Harry Potter há cinco anos. Esse tempo pode parecer pouco mas, de fato, é metade da vida dele. Acompanho-o veementemente desde que apareceu nas telonas do cinema em seu segundo ano de Hogwarts e enfrentou um terrível basilisco para salvar sua escola. Foi o suficiente para o encanto dele cair sobre mim e fazer com que eu corresse atrás dos livros. Depois disso, não dava mais para fugir da história do bruxinho altruísta que foi maltratado pelos tios trouxas durante dez anos, antes de descobrir que não pertencia ao mundo que acreditava ser o seu. Esse Potter, era um prenúncio daquele que chega ao Brasil amanhã, com o último livro da saga, Harry Potter e as Relíquias da Morte. O Potter de dez anos atrás era corajoso mas medíocre, não sabia lidar com seus próprios poderes e não conhecia muito da sua própria história. Talvez por isso, fosse tão encantador. Afinal, os olhos dos leitores se abriram junto com os dele. Nada mais, nada menos. E, isso se transformou no maior trunfo da série.
Com pouco mais de um ano, Harry foi o responsável pela derrota do maior bruxo das trevas de todos os tempos, Lorde Voldemort. O sacrifício de sua mãe - que se colocou diante do filho na iminência da morte dele - garantiu sua sobrevivência até a maioridade. Só que, ao completar 17 anos, ele ficaria sem qualquer proteção e livre para ser atacado pelo seu arquiinimigo. Mas J.K. Rowling não é uma autora de caminhos retos e certeiros. E, exatamente por isso, o final da série se torna, pela falta de palavra mais apropriada, surpreendente.
Em as Relíquias da Morte, Potter, já adulto, é dono de sua razão, capaz de tomar atitudes, fazer escolhas e julgar os resultados com clareza. Ou seja, um exímio líder, disposto a guiar o mundo dos bruxos ao embate final contra as forças das trevas, mesmo que isso signifique encarar a própria morte. É nesse livro que todas as pontas de linha são aparadas, o destino de todos os personagens é selado, passados são revelados e Potter descobre que ninguém é o que realmente parece ser.
J.K. Rowling não mede palavras ao finalizar sua história. Muitos vão chorar, outros serão surpreendidos com o desfecho de alguns personagens queridos. Mas ninguém poderá dizer que não foi avisado. As pistas para o grandioso final de Harry Potter e as Relíquias da Morte estão espalhadas pelos seis volumes anteriores. Só não viu quem não quis. A série pode render uma boa leitura para quem está aberto a encarar uma literatura frágil, mas fascinante. E, ao chegar no fim, despedir de Harry Potter é como colocar uma flor em cima de um caixão. Só que, nesse caso, o bruxinho sempre estará esperando pela sua próxima visita à estante.


postado por Lorena Verli às 5:36 PM
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Sexta-feira, Outubro 19, 2007

UOU!!!!


postado por Lorena Verli às 3:59 PM
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Quinta-feira, Outubro 18, 2007

CERTAS COISAS MERECEM SER LIDAS
Como nasce um Diogo Mainardi da vida

O oráculo de Ipanema
Uma breve história de Diogo Mainardi, o colunista mais lido de VEJA, autor de Lula É Minha Anta, que reúne seus textos sobre período mais espantoso da democracia brasileira

Mario Sabino


Diogo Mainardi usa a primeira pessoa para falar do mundo. Eu usarei a primeira pessoa para falar dele. Conheço o Diogo há trinta anos, desde os tempos do colegial no Equipe, em São Paulo. Na década de 70, o Equipe era uma escola que abrigava filhos de intelectuais perseguidos pelo regime militar, de profissionais liberais com pensamento mais alinhado à esquerda e de ricos, simplesmente. Só havia uma aluna negra. Depois dela, o Diogo era o mais escurinho. A cota do Equipe. Estudamos com futuros músicos de rock (Titãs), futuros pintores (Casa 7), futuros cineastas (Cao Hamburger é um entre mais de 300) e nenhum futuro Prêmio Nobel de Medicina, Física ou Química. A moçada gostava mesmo era de fazer arte, digamos assim. Inclusive nós, da futura "mídia golpista". O Diogo e eu tínhamos 15 anos, embora ele acrescentasse mais unzinho à sua idade, naquela que foi a sua primeira obra de ficção. O Diogo do Equipe era uma antecipação do Diogo atual, autor de Lula É Minha Anta (editora Record; 238 páginas; 35 reais), coletânea de textos publicados em VEJA. Os alunos do Equipe usavam andrajos ripongos. O Diogo usava calças Fiorucci. Os alunos do Equipe viajavam de ônibus para pegar praia no Ceará. O Diogo viajava de avião para esquiar no Chile. Os alunos do Equipe não tomavam banho com regularidade. O Diogo tomava dois por dia. Muitos alunos do Equipe iam de motorista para a escola. O Diogo ia de ônibus (e com um Rolex no pulso, sem que isso fosse visto como uma demonstração perversa da elite a favor da desigualdade de renda). Os alunos do Equipe ouviam Caetano Veloso e Luiz Melodia. O Diogo ouvia Talking Heads e Devo. Os alunos do Equipe gostavam de meninas com pernas cabeludas. O Diogo gostava de meninas com pernas depiladas (e eu também).

Além da fumaça de baseados, respirava-se política no Equipe. Os professores de história eram todos ligados ao Partido Comunista Brasileiro e adjacências. À diferença dos doutrinadores de hoje, eles sabiam história e nos divertiam ao ridicularizar as versões "burguesas". Havia uma professora de história do Brasil da qual sonhávamos socializar o modo de reprodução. Nas suas aulas, saíamos lá do fundão, para sentar perto daquela visão do paraíso (não no sentido do Sérgio Buarque de Holanda). Pois um dia, ao final de uma aula virulenta contra o capitalismo, o Diogo pediu a palavra à filocubana e disse, naquele tom plácido que é uma de suas marcas: "Fala a verdade, professora, vocês, comunistas, gostam mesmo é do charutão do Fidel Castro". Não houve retaliação. A esquerda brasileira era bem mais tolerante naqueles anos.

O Diogo pertencia a outro PC: o "Porcos Chauvinistas". Esse era o nome da nossa turma politicamente incorreta (o termo não existia), que fazia um jornalzinho de periodicidade irregular como o mensalão petista, o "Corriere del PC". O título, inventado pelo Diogo, era uma gozação para cima dos comunistas italianos, naquele período histórico empenhados em engabelar o público com um troço chamado "eurocomunismo" ou "terceira via". A forma e o conteúdo do nosso "Corriere" eram menos pretensiosos. Numa folha de caderno manuscrita, circulávamos piadas sobre os professores e elegíamos misses entre as meninas da classe mais dotadas de certos atributos (nunca inteligência). Em todo número, colávamos a mesma fotografia 3 por 4 de um integrante feioso do "PC", com a seguinte legenda: "Procura-se estuprador de galinhas". O resto da classe achava isso um "absurdo", a palavra mais em voga no Equipe da década de 70.

Uma de nossas atividades curriculares preferidas era jogar sinuca nos fundos de um boteco próximo ao colégio. Foi o cenário da defesa de minoria mais contundente que presenciei. O Diogo, que tinha aulas particulares de caratê em casa (pois é), pegou pelo colarinho um tipo que ameaçava dar uns cascudos num professor gay (de química). "Se você fizer isso, eu quebro a sua cara, está escutando?", disse o Diogo, num tom nada plácido, reconheço. O ameaçado ficou tão assustado quanto surpreso: como é que o Diogo, logo ele, capitão do "PC", podia defender um homossexual? Essa é a diferença entre o Garrincha e o Diogo, para ficar numa metáfora típica do momento político. Em seus dribles, o Garrincha fazia toda sorte de firula, mas sempre saía pela direita. O Diogo às vezes pode sair pela esquerda. A pretexto de aperfeiçoar o inglês, ele foi fazer o último ano do colegial numa high school pública da Califórnia. Os americanos estavam histéricos com o Irã dos aiatolás. Dali a pouco, a embaixada dos Estados Unidos em Teerã seria invadida e dezenas de funcionários mantidos reféns. O que fez o Diogo na high school? Pôs-se a defender a revolução iraniana e a atacar o xá deposto Reza Pahlevi (tio, aliás, da namorada do seu irmão mais velho). Para espanto do professor de American Studies – o equivalente à antiga educação moral e cívica brasileira –, ele contava em sala de aula como a CIA havia apoiado o regime corrupto do xá e, na América Latina, dado suporte ao golpe no Chile. O professor foi pesquisar nos jornais e – Oh, my Gosh! – confirmou tudo.

O colunista mais lido de VEJA apareceu pela primeira vez nas páginas da revista na edição de 19 de setembro de 1979. Foi na condição de "desordeiro", veja só que ironia. Uma foto estampada na página 17 mostra o Diogo, às vésperas de completar 17 anos, quebrando a vidraça da agência de um grande banco, em São Paulo. Recém-chegado dos Estados Unidos, ele estava no centro da cidade para renovar a carteira de identidade, quando foi colhido por uma manifestação do sindicato dos bancários logo degenerada em quebra-quebra. O Diogo tentou sair dali, mas um policial lhe deu uma cacetada. Furioso, ele se juntou à turba – e foi flagrado pelo fotógrafo Pedro Martinelli, de VEJA, que, é claro, pensou ser o garotão um bancário ou office-boy, apesar das botas italianas e do Rolex. A seqüência completa das imagens do "desordeiro" pode ser vista nestas páginas. Do episódio, conclui-se que, pelo menos uma vez, o Diogo esteve alinhado ao petista Luiz Gushiken, então um dos chefes dos bancários paulistas e personagem de Lula É Minha Anta.

Em 1980, o Diogo passou no vestibular para a faculdade de economia da PUC. Cursou só um ano. Nessa ocasião, mudou-se para uma quitinete no centro de São Paulo. O lugar era meio sórdido. Numa das paredes do apartamento, acima da cama permanentemente desarrumada, ele pichou a frase "De omnibus dubitandum est" ("Duvide de tudo"), mote latino que guiava o francês René Descartes. Troque-se o "tudo" por "políticos" e eis o cerne do pensamento mainardiano. Por isso acho engraçado quando ouço um político falar que é "amigo do Diogo". O Diogo não tem amigos políticos. Hoje bate nos petistas como amanhã espancará os tucanos, caso o PSDB volte ao Planalto. "Encaro como um serviço de utilidade pública", diz ele. O filme Tropa de Elite aponta o dedo contra os usuários de drogas? O Diogo já fazia isso no começo dos anos 80. Convidado para uma festa de publicitários e modelos, em que cocaína era servida feito canapé, ele pegou um punhado de pó, subiu numa mesa e interrompeu a festa com um discurso. Acusou os presentes – e olhe que era gente para burro – de financiarem o golpe de estado que o general Luis García Meza havia acabado de dar na Bolívia, com a ajuda dos cartéis da coca. Capitão Diogo Nascimento.
Cansado do Brasil brasileiro, mudou-se para Londres, matriculado na London School of Economics. A princípio, ficou maravilhado com a biblioteca de vários andares da escola. Mas, antes de completar um ano nessa faculdade tão conceituada quanto cara, elegeu como tutor Ivan Lessa, uma referência para sempre. Lessa indicou-lhe pencas de livros de ficção para ler – do irlandês Flann O'Brien ao americano Terry Southern. Resultado: o Diogo passou a matar aulas em libras esterlinas. Fui encontrar o meu amigo em Londres. Ele alugava um quarto na casa de um encanador e, quando não estava lendo a bibliografia passada pelo tutor Lessa, andava horas pela cidade, ensimesmado. Sua dieta era à base de goulash, fish-and-chips e scotch egg – um ovo cozido revestido de uma capa de farinha frita. Não sei como o Diogo sobreviveu a esse tipo de comida. De qualquer forma, tendo a crer que a culinária da velha Albion ajudou a forjar o notável estilo sem molhos do autor de quatro romances, dois roteiros cinematográficos e duas coletâneas de artigos publicados em VEJA, A Tapas e Pontapés e, agora, Lula É Minha Anta.

A história mais recente do Diogo é razoavelmente conhecida. Serviu de cicerone a Gore Vidal na visita do escritor americano ao país (o que pouca gente sabe é que Vidal aconselhou Diogo a entrar na carreira política e tentar a Presidência do Brasil). Era amigo de Paulo Francis e é chapa de Millôr Fernandes – os dois, mais Ivan Lessa, estão em fotografias penduradas na sala de jantar do Diogo. Viveu durante catorze anos em Veneza, onde se casou com Anna Michielotto, especialista na pintura de Tintoretto, e teve seu primeiro filho, Tito, que nasceu com paralisia cerebral. Há seis anos, escolheu o Rio de Janeiro para morar, porque a cidade oferecia melhores condições do que Veneza para o desenvolvimento de Tito, uma das crianças mais bem-humoradas que conheço. No Rio, nasceu o seu segundo filho, Nico, um garoto muito "ishperrto", na avaliação geral dos vizinhos ipanemenses. Desde 2003, o Diogo faz parte da bancada do programa Manhattan Connection, do canal GNT. Grava apenas com áudio, sem ver os seus interlocutores em Nova York, o que acentua a sua tendência de olhar para baixo quando está diante de uma câmera.

O Diogo é amigo de infância do dono do grupo Fasano, Rogério. Isso lhe garante mesa cativa nos restaurantes e um preço camarada nas contas. É um negocião, principalmente porque o veneziano Tito adora comer bem. A família toda vai para a cama cedo, por volta de 9 e meia da noite. O Diogo já está de pé às 5 e meia da manhã. Lê jornais nacionais, americanos e italianos na internet, e a rede lhe propicia também levantar informações sobre os personagens citados em suas colunas e no podcast que faz para VEJA on-line. Ele mora na Avenida Vieira Souto, no 3º andar de um predinho que nada tem de elegante ou luxuoso, mas ainda mantém o belíssimo apartamento no Canal Grande, em Veneza, num edifício do século XV, com janelas bizantinas, ao lado do Museu Guggenheim. O aluguel da maravilha é relativamente barato porque o dono é amicíssimo de Anna.

Lula É Minha Anta reúne colunas publicadas entre março de 2005 e setembro deste ano. É a história do mensalão vista pela ótica do Diogo. Como sabem os admiradores que acompanham seu trabalho, ele também participou das apurações de alguns episódios, contribuindo com entrevistas e dicas preciosas. No livro, o Diogo encadeia as colunas por meio de comentários em negrito que não deixam o leitor se perder em meio à torrente de acontecimentos. É, no todo, uma ótima crônica sobre a quadra mais espantosa da democracia brasileira. Visitei bastante o Diogo nesse período. Tardes e tardes de sábado na sala do seu apartamento – eu no sofá desconfortável de frente para o janelão que emoldura o mar do Posto 9; ele no divã igualmente desconfortável de costas para o janelão (vou acabar comprando uns móveis decentes para os Mainardi). Com as crianças brincando no quarto, a televisão ligada baixo em algum programa ruim da RAI, ficávamos naquele silêncio modorrento só possível entre amigos. Uma vez o Diogo caiu na risada. "Por que você está rindo?", perguntei. "É porque estou fora do radar petista. Enquanto eles gostam de dinheiro e poder, eu gosto mesmo é de dormir", respondeu o oráculo de Ipanema.


postado por Lorena Verli às 11:32 AM
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ESSE É O BRASIL QUE A GENTE TEM
Mas não precisa ser o que a gente merece!

“Hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver crescer os seus filhos por causa de um relógio” (Luciano Huck)

Àqueles que criticaram o artigo do Huck... Tá na hora de abrir os olhos

O Meu Guri - Chico Buarque

Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí
Olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos tá um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo de papo pro ar
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri


postado por Lorena Verli às 11:28 AM
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Sábado, Outubro 13, 2007

MENSAGEM MIITA DA MÃEZINHA
Oh saudade louca que não acaba nunca!!!


Eu sei que vou te amar,
Por toda a minha vida,
Eu vou te amar,
A cada despedida,
Eu vou te amar.
E cada verso meu
Será pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida.
Eu sei que vou chorar,
Mas cada volta tua
Há de apagar
O que essa ausência tua me causou.
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida.


postado por Lorena Verli às 10:01 PM
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Quinta-feira, Outubro 11, 2007

O EMBRIÃO ABORTADO DE UMA MANIFESTAÇÃO
Aqui cabe um minuto de silêncio... Alguém morreu!

Mal fecundou e já foi abortada, como se fosse feita por motivo nenhum. Foi assim a suposta manifestação por causa da morte de um motorista da empresa. Homicídio ou latrocínio? Ninguém sabe dizer. Mas isso não importa nesse momento. O que interessa, agora, é que um funcionário da empresa levou um tiro a poucos metros da portaria e agonizou seus últimos minutos dentro dos portões da Abril. Morreu!
E aí? Aí, que uma empresa com mais de mil funcionários decidiu que uma manifestação deveria ser feita. Mas ela não aconteceu. Que me desculpe os que pararam o trabalho na redação, assim como eu, e desceram carregando uma folha em branco. Eram cem pessoas? Tá, mais ou menos isso! Eu diria menos, mas há quem diga que foi mais. Tudo bem, não vou brigar por causa disso! Afora os que estavam ali, ninguém mais se importou se alguém morreu, foi baleado, atropelado, enforcado ou torturado na frente da Abril. A uma das maiores empresas de comunicação do Brasil, falta algo fundamental: comprometimento com a sociedade.
Fiquei decepcionada, não com o posicionamento da empresa - que decidiu instalar duas câmeras, alguns holofotes e contratar dois seguranças -, mas com a covardia e falta de compromisso das pessoas. Uma vida foi embora hoje e poucos se deram ao trabalho de se importar com isso. A morte está banalizada... acontece em qualquer lugar. Mas fechar os olhos para ela e fingir que nada aconteceu não vai curar o nosso problema. O que falta para as pessoas é enxergar o outro de vez em quando e deixar de ficar olhando para o próprio umbigo.


postado por Lorena Verli às 5:51 PM
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Quarta-feira, Outubro 10, 2007

EU INDICO
Jogos Mortais 4

Quem assistiu aos outros três filmes dessa série sabe exatamente do que estou falando. Um dos melhores suspenses dos últimos tempos, onde a gente só descobre o final no final. Pode até viajar, mas só quando o corpo levanta do chão é que a gente descobre toda a jogada. Se seguir o exemplo, Saw IV será tão bom quanto...


postado por Lorena Verli às 2:19 PM
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Segunda-feira, Outubro 08, 2007

Campanha Dove pela real beleza!!!!
Adorei a mensagem final!!!


postado por Lorena Verli às 4:06 PM
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